Seu negócio pode estar em risco e talvez você nem saiba disso!

Veja neste artigo se você também comete esses erros no seu negócio!

Por: Hélio Morais

Seu negócio pode estar em risco e talvez você nem saiba disso!

É muito comum encontrar empreendedores que abrem um negócio e com o passar do tempo conseguem evoluir devido à boa aceitação do seu produto ou serviço e é a partir deste momento que se começa a correr o risco de quebrar.

Talvez você esteja se perguntando como posso estar correndo risco de quebrar justamente agora que o meu negócio está crescendo?

Pois bem, a seguir vou te apresentar 4 riscos "silenciosos" que podem quebrar seu negócio apesar das coisas estarem aparentemente indo bem e também vou te mostrar as 10 ações simples que vão te ajudar a corrigir esses erros e crescer:

Risco 1 - Depender de um único produto

Imagine que você lançou um produto ou serviço que gera uma boa aceitação pelo mercado e as vendas dispararam. Seu negócio prospera e você fica feliz da vida focando em aumentar cada vez mais a venda do seu produto campeão, entretanto, existe um grande risco neste modelo de negócio. Sabe qual é?

Numa bela manhã você descobre que um concorrente lançou um produto similar ao seu por um preço menor. E agora? Você estava preparado para uma situação destas?

É comum, nestas situações, ocorrer uma guerra de preços onde cada um dá um desconto maior do que o concorrente até que um dos dois (ou os dois) quebram.

Também pode ocorrer que apareça um produto melhor do que o seu ou uma mudança na legislação torne seu produto fora do padrão legal de uma hora para outra.

Existem outras variáveis, mas as que citei são as armadilhas mais comuns.

Como se prevenir e não ser apanhado de surpresa?

Em primeiro lugar tenha claro em sua mente que todos os produtos possuem um ciclo de vida que envolve a introdução, crescimento, maturidade e declínio. Então, não se iluda com seu produto campeão. Mais cedo ou mais tarde ele vai acabar, por isso sugiro que você invista parte do tempo e dos recursos para aperfeiçoar o "campeão" ao mesmo tempo que cria e lança outros produtos diferentes.

Desta forma, seu faturamento vai depender cada vez menos do produto campeão, assim, se o ciclo de vida do seu produto for tão longo como o da Coca-Cola, por exemplo, seu faturamento vai aumentar, seu negócio vai crescer e você ficará ainda mais feliz, entretanto, se seu produto campeão entrar em declínio, você terá outros para sustentar seu faturamento enquanto você prepara um novo "campeão" sem colocar tudo que você conquistou com muito esforço a perder.

Risco 2 - Depender de um único cliente

Você lançou um produto que chamou a atenção de uma grande rede varejista que fez um pedido que consumiu toda a sua produção.

Que sonho, não é?

Lidar apenas com um cliente, "garantir" a produção por vários meses e receber um pagamento graúdo sempre na mesma data. Que maravilha!

E se eu te disser que esse sonho tem grande chance de se tornar um pesadelo?

Bem, se você prestou atenção na situação anterior já deve estar pensando como isso pode quebrar uma empresa, entretanto, para que não fiquem dúvidas, vou esclarecer qual é o risco.

Numa outra bela manhã (normalmente essas catástrofes ocorrem quando tudo parece perfeito), o gerente de compras da sua rede varejista dos sonhos te liga para dizer que em virtude de um realinhamento estratégico (eles gostam de expressões bonitas para não magoar tanto), as compras do seu produto estão suspensas por tempo indeterminado (outra forma simpática de dizer que nunca mais vão comprar de você). Agradece a "parceria" e se despede com um "até breve" que significa até nunca mais.

Quebrar em uma situação destas é quase certo, então, o que fazer diante disso?

Algumas possibilidades são:

a) Faça um contrato com essa rede varejista que estipule uma multa caso eles quebrem o contrato antes do prazo, assim, com essa verba da multa você terá algum tempo para procurar outros clientes e manter sua estrutura funcionando.

Se você tem uma micro ou pequena empresa, sua chance de ter um contrato destes é muito pequena já que você não tem força diante do "todo poderoso" varejista, entretanto, não custa tentar;

b) Aumente sua produção, de forma a gerar um excedente desse produto para você vender para outros clientes, assim você diversifica sua carteira de clientes e aos poucos vai diminuindo sua dependência do varejista. No dia que ele parar de comprar de você, certamente suas finanças vão sofrer um abalo, mas você terá grandes chances de sobreviver e seguir em frente.

c) Se você não consegue aumentar sua produção, então diminua a oferta para seu cliente principal, assim você terá um excedente para aplicar a opção que citei anteriormente.

Risco 3 - Depender de um único fornecedor

As parcerias são necessárias em tudo na vida e nos negócios elas são vitais. É muito bom ter um fornecedor confiável que nunca te deixa na mão, mas, nessa "altura do campeonato" você já percebeu que para ter sucesso você precisa reduzir ao máximo sua dependência de terceiros, e com fornecedores não é diferente.

Seu fornecedor "amigo e parceiro" pode quebrar, aumentar os preços de forma a esmagar a margem de lucro da sua empresa ou simplesmente decidir fornecer para um cliente maior do que você e aí, de uma hora pra outra, você fica a "ver navios" e pode quebrar se não encontrar outro fornecedor a tempo.

Se você encontrar um novo fornecedor, provavelmente não terá a mesma linha de crédito concedida pelo antigo, afinal de contas ele não te conhece de lugar nenhum, assim, você vai precisar de mais capital de giro para pagar seu novo fornecedor em prazos mais curtos ou talvez à vista.

Se você estiver numa situação destas, dificilmente vai conseguir disfarçar seu desespero. Desta forma, se o seu novo fornecedor for atento, vai perceber sua agonia e vai te impor condições de preço e prazo desfavoráveis ao seu negócio e você vai ter que comprar "calado" pois a sobrevivência do seu negócio está seriamente comprometida.

O que fazer?

Simplesmente não dependa de um único fornecedor mesmo que este seja seu pai!

É desejável ter um fornecedor como parceiro estratégico, mas nunca dependa dele 100%, por isso, tenha no mínimo dois fornecedores para o mesmo insumo. Se as condições forem similares compre metade da sua demanda com cada um.

Se um destes fornecedores for melhor, então, compre 70% com ele e o resto compre com outros, mesmo que em situações não tão vantajosas, desta forma seus fornecedores vão te "mimar". O fornecedor principal vai te tratar bem para você não trocá-lo, e o (s) fornecedor (es) secundário (s) vão te “cortejar" para aumentar a cota do fornecimento.

E sua empresa?

Bem, sua empresa não ficará na mão de ninguém e, a depender do seu volume de compras, você terá poder para barganhar melhores preços e condições com qualquer um dos seus fornecedores.
O que fazer se só existir um fornecedor?

Neste caso, procure fazer um contrato de fornecimento com algumas cláusulas que garantam alguns meses de fornecimento, mas isso só será possível caso você tenha volume suficiente que te dê poder de barganha.

Ao mesmo tempo procure outros fornecedores, se você procurar provavelmente vai encontrar, mas se realmente só houver um, então procure criar outros produtos ou serviços que não dependam exclusivamente deste fornecedor, assim, se um dia ele te deixar na mão, seu negócio terá outras formas de se sustentar.

Essa regra também é válida se você depende de insumos importados. Imagino que as empresas que só tenham fornecedores internacionais estejam muito preocupadas com a forte alta do dólar nos últimos meses.

Risco 4 - Depender de uma única pessoa-chave dentro da sua organização

Sua empresa não pode depender de uma única pessoa, inclusive de você!

Reflita sobre isso:

Você investe, "sangue, suor e lágrimas" para criar seu negócio. Contrata uma pessoa, treina e delega a ela uma série de responsabilidades estratégicas.

Num belo dia (lá vem o belo dia de novo...) sua pessoa de confiança liga e diz que vai trabalhar em outra empresa. Sem aviso prévio. E aí, o que você faz?

Bem, se no seu negócio só essa pessoa sabe desempenhar essa função estratégica, então, você está em maus lençóis.

As consequências vão desde uma paralisação temporária das atividades até o fim do negócio.

Pode parecer dramático, e é!

Diariamente empresas quebram no Brasil porque a pessoa estratégica saiu ou está ausente (no caso do proprietário).

Pode ser seu melhor vendedor que decidiu ir para a concorrência e levou a carteira de clientes junto ou um funcionário técnico, um cozinheiro, por exemplo, que só ele sabe como "colocar a cereja no bolo" de uma forma que nem você como dono da empresa sabe, e por aí vai...

Nestes casos, a depender do tempo necessário para contratar e treinar outra pessoa para a mesma função, pode ser tarde demais.

E se esse funcionário estratégico for você, dono do negócio? Já pensou nisso?

Se você ficar doente, sofrer um acidente ou morrer, tem alguém que saiba fazer o que você faz para manter a empresa funcionando e não colocar sua família em dificuldades?

As pessoas vem e vão, mas os negócios devem ser feitos para durar. Existem vários pelo mundo que atravessaram gerações.

Qual a solução?

Longe de querer esgotar o assunto, enumero quatro ações básicas para não correr esse risco:

a) Crie manuais de procedimento para cada atividade dentro do seu negócio. Esse manual deve explicar passo a passo o que deve ser feito naquele setor. É como uma receita de bolo, se o seu cozinheiro for embora o ajudante vai fazer o prato. Mais devagar, mas vai conseguir. Nesse manual você deve colocar todos os passos, inclusive os truques;

b) Divida uma tarefa em partes menores de forma que outras pessoas participem do processo, assim, você não concentra tudo em uma única pessoa e fica mais fácil substituir sem "travar" a empresa;

c) Contrate e treine um auxiliar, desta forma ele saberá executar boa parte das tarefas caso o titular se ausente ou deixe a empresa;

d) Monitore regularmente a execução dos procedimentos de forma a ter certeza que as três ações anteriores estão sendo executadas corretamente.

Bem, vou terminar por aqui, mas quero deixar claro que qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Já vivenciei essas situações e elas acontecem na maioria das micro e pequenas empresas brasileiras todos os dias.

Existem ferramentas sofisticadas para a gestão estratégica do seu negócio, mas esse artigo serve como uma provocação para você buscar mais conhecimento e estar atento a situações do cotidiano que muitas vezes passam desapercebidas.

Agora que você conhece os riscos ocultos decida hoje mesmo colocar em prática o que já aprendeu e busque conhecimento mais aprofundado.

Desejo que seu negócio faça parte das estatísticas que apontam que duas em cada dez empresas abertas no Brasil permanecem abertas após dez anos.

Sucesso!